[Resenha] Correndo Descalça

Correndo Descalça
Título Original: Running Barefoot
Autor(a): Amy Harmon    
Editora: Verus                      Páginas: 308
Lançamento: 2018               ISBN: 9788576864660
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Um romance emocionante sobre amizade, amor e família, da autora de Beleza Perdida. Quando Josie Jensen, a desajeitada menina prodígio da música, conhece Samuel Yates, um garoto confuso e revoltado descendente dos índios Navajos, uma amizade improvável floresce. Apesar de ser cinco anos mais nova, Josie ensina a Samuel sobre palavras, música, sonhos, e, com o tempo, eles formam um forte vínculo de amizade. Após se formar no colégio, Samuel abandona a cidadezinha onde vivem em busca de um futuro, deixando sua jovem amiga com o coração partido. Muitos anos depois, quando Samuel retorna, percebe que Josie necessita exatamente das coisas que ela lhe oferecera na adolescência. É a vez de Samuel ensinar a Josie sobre a vida e o amor e guiá-la para que ela encontre seu rumo, sua felicidade. Profundamente romântico, Correndo Descalça é a história de uma garota do interior e um garoto indígena, sobre os laços que os ligam a suas casas e famílias e sobre o amor que lhes dá asas para voar.
Fazia tempo que eu não lia um livro de Amy Harmon e fiquei muito feliz quando a Verus trouxe este ano Correndo Descalça. Eu me encantei pela escrita da autora ao ler o sensacional Beleza Perdida e mesmo tendo lido Infinito + Um algum tempo depois, a leitura não causou o mesmo impacto emocional, ainda que eu tenha gostado bastante. São dois livros excelentes, mas o segundo não traz uma trama daquelas para ler com lenços do lado e eu amo uma trama dessas.

E, Correndo Descalça, logo nas primeiras páginas mostrou-se uma história que muito me lembrou Beleza Perdida e já fiquei cheia de expectativas pelas lágrimas que viriam sem demora. Se chorei? Gente! E como! Tudo bem que a história é menos triste que a do primeiro da autora que li, mas ainda assim derreteu meu coração.

Josie Jansen perdeu a mãe quando nem tinha completado dez anos e assumiu para si a tarefa de cuidar da casa, do pai e dos irmãos. A menina aprendeu a ser adulta muito cedo e com isso amadureceu rapidamente. Seus dias de brincar de bonecas eram passados com a tia ou na casa de vizinhas aprendendo a cozinhar, plantar e cuidar. A única distração veio com a chegada de um casal de aposentados na pequena cidade que ela vivia, pois a mulher acabou tomando Josie como aluna de piano e a ensinou os mistérios e maravilhas da música clássica.

Josie não via sua vida como sacrifício e vejam bem que não era mesmo. Era uma vida em família difícil pela perda de uma mãe, mas não de exploração. Cada um ali assumiu algo para si e a Josie coube cuidar de quem amava. Era uma ordem natural das coisas naquele cenário e que fique bem claro que o lar da garota era um lar de amor.

Ela não era um prodígio na música, mas tinha um talento nato para tocar e emocionava aqueles que ouviam suas canções. Envolta entre músicas e seus amados livros, tornou-se uma adolescente que não se encaixava bem entre os da sua idade e acabou fazendo amizade com um menino mestiço de índios e  brancos no ônibus escolar. Samuel, assim como ela, não se encaixava bem. Ambos eram jovens de almas muito maduras e o que para os colegas era empolgante, para os dois não tinha tanta importância ou mesmo significado. Samuel e Josie se ligaram, mas a diferença de idade impedia o garoto de deixar-se apaixonar pela melhor amiga. Quando ele foi embora para ser um fuzileiro naval, o coração de Josie se partiu.

A história é em grande parte sobre esta menina doce, gentil e carismática, que desde cedo assumiu para si a tarefa de ser adulta e cuidar daqueles que amava. Josie comove o leitor com suas tentativas de criança de cuidar de uma casa e ganha nossa admiração com sua total dedicação. Mais tarde, quando começa a tocar piano e dividir conosco o seu amor pelos livros, toca e aquece nosso coração com tanta sensibilidade e honestidade.

A relação dela com Samuel é bem complexa. Além dele ser um garoto desconfiando, não aceita bem afeto e ajuda. Sempre discriminado por sua condição de mestiço, demora a entender que para algumas pessoas isso não faz diferença e que Josie o ama sem limites.

Quando enxerga nela uma pessoa sincera e que preocupa-se de verdade com ele, dá-se conta que é a idade é um problema para eles e resolve abrir mão do que poderiam ser e segue em frente. Eu não sabia como estes dois poderiam se entender e já antecipo que Samuel como fuzileiro me fez imaginar tragédias de guerra, mas a autora opta por coisas menos drásticas, ainda que não falte drama em sua história.

Josie e Samuel seguem caminhos distintos, ainda que seus corações estejam colados e, posso dizer, que não dá para saber se vão dar certo no final. Acontecem muitas coisas e anos se passam. A cada linha lida esta história se mostra mais e mais sentimental, bela, cheia de ternura e mil e um exemplos de amor.

A dupla de protagonistas tem vidas significativas e enxergam o mundo de maneira profunda. Amei cada segundo que dividiram comigo sua visão e opinião e não há como ficar indiferente ao que pensam. Além disso, Josie nos influencia a querer ler vários livros e ouvir música clássica. Em determinado momento tive que recorrer ao Spotify e buscar as músicas que ela citou e terminei a leitura ao som de Bach, Mozart, Chopin e outros. Tamanho foi meu envolvimento com a história de Amy Harmon, que precisei mergulhar profundamente no que foi citado em cada página.

Eu amei este livro e me senti mudada ao fechá-lo. Amy tem este dom de nos fazer pensar e sentir, especialmente sentir e ter vontade de abrir o coração. Até mesmo quando ela aborda algo de cunho religioso, não me incomoda, e olha que sou avessa a isso em qualquer livro. Mas Amy trata do tema de maneira respeitosa e nunca impositiva, como parte de seus personagens e do que acreditam. Ela não vende religião e afins, ela usa isso para compor pessoas e se você gosta destas pessoas dela, aceita-os como são e desta forma o tema abordado fica natural e aceitável.

Em suma, este foi mais um livro de Harmon que li e me marcou. Recomendo demais suas obras e torço para que mais livros delas sejam publicados no Brasil. Leiam Correndo Descalça, leiam Beleza Perdida e Infinito + Um.




2leep.com

8 comentários:

  1. Oiii Cida

    Ja vi varias recomendaç5es sobre os livros da Amy, Beleza Perdida arranca lágrimas mesmo, ja vi muita resenha dizendo isso. Correndo Descalça está na minha lista, acho a trama interessante e tem pinta de ser intenso, quero ler em breve

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  2. Oi Cida,

    Li Beleza Perdida antes mesmo de lançar por aqui e como adorei na época. A Amy consegue trazer uma história com uma carga emocional sutil, mas muito marcante.
    Esse e Infinito + Um estão na lista.
    Bjs e uma boa semana!
    Diário dos Livros
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  3. Oi amiga!
    Eu me senti da mesma forma que você com os dois primeiros livros da autora e fico muito feliz em saber que esse novo trabalho agrada tanto, comovendo e impactando o leitor, estou doida pra ler. Beijão!
    Elis Culceag * Arquivo Passional.

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  4. Oi Cida. "Beleza Perdida" já está na minha wishlist e, mesmo sem conhecer a escrita da autora, estou certa de que vou me sentir envolvida pelas histórias que ela cria. Quando li a sinopse desse livro já fiquei entregue e imaginei que seria uma história que traria algumas reflexões de deixar o leitor emocionalmente afetado. Gostei de saber que, realmente, a obra poderá proporcionar isso. Adorei a resenha e me motivou, ainda mais, a ler esse livro!
    Beijos
    http://espiraldelivros.blogspot.com/

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  5. Oi Cida, tudo bem?
    Adorei a resenha e fiquei muito curiosa pra conferir o desfecho do casal. Parece emocionante (o que até me dá certo medinho, porque tenho evitado ler livros que me façam chorar hehe). Também curti que a religião não seja trabalhada como algo crucial, de modo impositivo, pois também não curto essa abordagem.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  6. Oi Cida.
    Essa autora eu desisto. Dois livros dela não renderam comigo. Infinito + Um eu li e achei muito chato. Não vi nada demais. Beleza Perdida eu desisti no terceiro capítulo de tão tedioso que eu achava. Então, nem me anima mais ler nada dela, mesmo as resenhas sendo positiva e as capas legais.

    Abraços
    David
    https://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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  7. Oi, Cida!
    Menina, aparentemente é padrão todo mundo chorar com esse livro né? Não tenho tanta vontade de ler por agora, mas está aqui anotadinho.
    Gostei que o estilo da capa combinou com as dos outros livros da autora lançados aqui.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  8. Oi Cida! Eu nunca li nada da autora, mas pela sua resenha já acho que vou gostar por ter uma história bem sensível! E adorei a capa do livro!

    BJs, Mi

    O que tem na nossa estante

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