[Resenha] O Ódio Que Você Semeia

O Ódio Que Você Semeia
Título Original: The Hate U Give
Autor(a): Angie Thomas
Editora: Galera Record        Páginas: 378
Lançamento: 2018               ISBN: 9788501116130
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Durante o dia, Starr estuda numa escola cara, com colegas brancos e ricos. No fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia. Ainda muito nova, Starr aprendeu com os pais como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial. Não faça movimentos bruscos. Deixe sempre as mãos à mostra. Só fale quando te perguntarem algo. Seja obediente. Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto. Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas, Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início. Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa. Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, sensível e, ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar.
O Ódio Que Você Semeia tem sido um dos livros mais elogiados ultimamente, por trazer uma história que aborda um tema atual e relevante. Eu li muitas resenhas e não me lembro de nenhuma trazer uma opinião negativa, fiquei curiosa e receosa em igual medida sobre a obra. Curiosa pela grandeza do tema e receosa por sempre ficar com o pé atrás com livros muito elogiados. Então veio a estreia do filme e o Grupo Editorial Record, pelo selo Galera Record, enviou o livro de surpresa. Eu parei tudo e resolvi conferir a história e posso afirmar que o livro merece cada elogio que recebeu e outros mais.

Eu sabia previamente do que se tratava, já abri o livro sabendo que de cara veria uma garota testemunhar um policial assassinando seu amigo. Digo que foi assassinato, pois o policial achou que por o rapaz ser negro, era bandido e que por isso não era confiável. Literalmente, meteu bala no amigo de Starr e ao que tudo indicava seria inocentado e quem sabe até elogiado por ter cumprido seu dever.

Por já esperar por este desfecho para a morte do membro de uma comunidade maioritariamente negra, o pessoal de Garden Heights saiu as ruas para protestar, para gritar por seus direitos e provar que a cor da pele não os tornava piores ou melhores que ninguém. Afinal, somos todos seres humanos, que merecemos dignidade e respeito. 

No entanto, até que Starr estivesse disposta a enfrentar esta situação e lidar com os próprios dilemas de sua vida, nada iria mudar e não haveria justiça para o jovem Khalil.

O livro é sobre preconceito racial e, apesar de ser uma obra de ficção, o que vemos em suas páginas é a vida real nua e crua.  A autora conta uma história que se repete em várias partes do mundo e tenta em cada página abrir o coração e os olhos das pessoas para as injustiças e o preconceito. Não é apenas algo entre brancos e negros, apesar deste aspecto se destacar na obra, mas também entre diferentes povos, entre ricos e pobres.

A história poderia ser aquele clichezão moralista e com a mensagem de vamos salvar o mundo, mas não. É uma história sem exageros, sem apelação dramática e que se apresenta de maneira natural, como se estivéssemos ao lado dos personagens os ouvindo. Definitivamente, O Ódio Que Você Semeia conversa com o leitor e este foi o aspecto que mais apreciei. A forma simples e, ainda assim, marcante e profunda que a história foi contada, a eficiência com que chegou ao meu coração e deixou uma mensagem.

Apesar da violência que mostra, não é uma livro violento. É na verdade um livro sobre direitos humanos e muito amor. Que encanto é ver a ligação de Starr Carter com a família e até mesmo com a comunidade dela. Os Carter são pessoas queridas, que queremos abraçar e ser amigos. São gente de coração grande, com seus defeitos, mas qualidades que os superam. Gente honesta, digna e boa no real sentido da palavra.

A história é linda e sensível. Apresenta uma forte carga psicológica e Starr se destaca neste ponto não apenas por ter que lidar com o crime que testemunhou, mas por também viver uma vida dividida entre o gueto que morava entre negros e pobres e a escola de elite que frequentava em um bairro de pessoas brancas e ricas. Ela não conseguia unir suas duas realidades, mas ao dar a cara a tapa para gritar por Khalil teve que permitir que ambos os mundos se unissem e seu medo por ambos não se conectaram quase a sufocou.

Eu me liguei muito aos personagens, não pensei que isso fosse acontecer de forma tão forte, mas não dá para não sentir aquela empatia por cada um deles. E a mensagem da obra também foi além do que eu esperava, pois não é apenas sobre racismo, é sobre as injustiças em geral, sobre dar voz para as minorias, sobre lutar pelo que é certo e respeitar o próximo acima de tudo.

Sem dúvidas uma obra para ser lida e relida e adotada até mesmo em escolas com forma de conscientizar e ajudar na formação de jovens. O ódio semeado se propaga e complica tudo, mas se semearmos coisas boas, acredito que podemos melhorar nosso mundo. Eu amei!






2leep.com

11 comentários:

  1. Oi, Cida

    Recebi o livro recentemente e ele entrou pro meu projeto do ano que vem. É um livro super necessário e até agora não me conformo do filme ter sido tão boicotado por aqui.

    Beijos
    - Tami
    https://www.meuepilogo.com

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  2. Oi Cida,
    Estou muito ansiosa pra ler e assistir.
    Acredito que assistir seja primeiro. Espero amar, pois estou adorando todas resenhas que leio.

    Nana - Canto Cultzíneo

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  3. Oii Cida

    Eu também não pensava que fosse me apegar e me envolver tanto com os personagens, mas acabei maravilhada com essa narrativa tão verdadeira. Adorei a escrita da autora, quero com certeza ler outros livros dela.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  4. Oi Cida!
    Esse livro é maravilhoso demais *-* Eu demorei também pra ler, mas valeu cada minuto de espera. Nunca me senti tão representado em uma obra como foi o caso desse, e a protagonista, Starr, tem um caracter humano muito forte. Eu simplesmente via aquilo tudo como uma espécie de documentario. A mensagem é importante demais para não ser lida <3 E em clima de adendo, o livro foi escolhido para ser paradidático nas escolas publicas do BR. Fiquei feliz que só.

    Abraços
    David
    http://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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  5. Oi Cida,

    Quero ler muito esse livro, mas acho que vou acabar assistindo o filme primeiro.
    Já sei que vou adorar.

    Bjs e uma boa semana!
    Diário dos Livros
    Siga o Instagram

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  6. Olá, Cida.
    Estou até com medo de ler o livro porque assim como você só li resenhas positivas dele. Infelizmente acho que todo mundo tem um pouco desse policial enraizado porque é muito mais fácil "confiar" em um branco do que em um negro. Mas acredito que isso um dia vai mudar. E assim que der vou ler o livro.

    Prefácio

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  7. eu vi muitas divulgações acerca, mas confesso que não sabia o enredo em si e fiquei muito curiosa!
    leria com certeza!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com/

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  8. Muito bom! Seu blog é muito bom mesmo, estou amando ler os seus artigos..

    Já salvei seu Blog em meus favoritos.


    Estou amando seu blog ❤️


    Meu Blog: Michelle

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  9. Oi Cida, tudo bem?
    Amei a dica! O livro já estava na wishlist, mas agora - sabendo que é tão real, que conversa com o leitor de forma tão verdadeira - fiquei com mais vontade de ler.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  10. Tenho visto muitas resenhas positivas desse livro e tenho ficado muito curiosa, espero ler ele ano que vem. Beijos
    https://livroseafins2.blogspot.com/

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  11. Oi, Cida!
    Eu amei demais esse livro! Dá vontade de comprar um montão e sair dando pra uma galera aí sabe...
    Beijos
    Balaio de Babados
    Natal Literário 2018: 5 kits, 10 ganhadores. Participe!

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