[Resenha] Sempre Vivemos No Castelo

Sempre Vivemos No Castelo
Título Original: We Have Always Lived in the Castle
Autor(a): Shirley Jackson 
Editora: Suma                      Páginas: 200
Lançamento: 2017               ISBN:9788556510327
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Merricat Blackwood vive com a irmã Constance e o tio Julian. Há algum tempo existiam sete membros na família Blackwood, até que uma dose fatal de arsênico colocada no pote de açúcar matou quase todos. Acusada e posteriormente inocentada pelas mortes, Constance volta para a casa da família, onde Merricat a protege da hostilidade dos habitantes da cidade. Os três vivem isolados e felizes, até que o primo Charles resolve fazer uma visita que quebra o frágil equilíbrio encontrado pelas irmãs Blakcwood. Merricat é a única que pressente o iminente perigo desse distúrbio, e fará o que for necessário para proteger Constance. Sempre vivemos no castelo leva o leitor a um labirinto sombrio de medo e suspense, um livro perturbador e perverso, onde o isolamento e a neurose são trabalhados com maestria por Shirley Jackson.

O livro do livro ou o livro dentro de outro livro. Como assim? Sabe quando lemos um livro e determinado personagem cita algo que leu e gostou muito? Bem, isso aconteceu comigo com O Sol É Para Todos e We Have Always Lived in the Castle, este último lançado no Brasil pela Suma com o título de Sempre Vivemos No Castelo.

Eu já havia visto a capa de edição estrangeira, mas somente prestei atenção na obra quando a personagem central de Juntando os Pedaços (Libby), de Jennifer Niven, citou a inúmeras vezes durante a história. Ela tinha tanto amor por Sempre Vivemos No Castelo que fiquei com bastante vontade de ler e menos de um ano depois tive a oportunidade.

É um livro curtinho, com duzentas páginas, e nos apresenta uma cidade pequena e uma família peculiar. Os Blackwood são muito ricos, vivem isolados numa mansão e são odiados pelos vizinhos. Eles na verdade são odiados e temidos, visto que a maior parte da família morreu envenenada por arsênico no açúcar e o suposto culpado pode ser um dos membros que restou. Então, na mansão, vivem Tio Julian, Constance e Merricat Blackwood, sendo está última nossa narradora.

Merricat tem dezoito anos e é a única que sai de casa para fazer comprar e manter os demais bem. Cada ida a cidade é uma tortura, pois ela sente tanto medo das pessoas que não consegue nem respirar direito. Ela imagina mundos e situações fantasiosas como escape da realidade e mesmo quando está sendo vítima do deboche dos vizinhos, segue em frente com a cabeça em outro lugar. A hostilidade dos moradores locais é pesada e a autora consegue fazer com que saia das páginas e nos faça sentir na pele o desespero que cerca a garota.

Constance é a irmã mais velha, mas por conta do assassinato em massa da família nunca mais saiu de casa. Ela tem vergonha de encarar as pessoas e acaba sendo uma lenda viva e assunto para as más línguas. Sua função é cuidar da casa e cozinhar especiarias divinas para todos. Tio Julian é praticamente um inválido delirante, que sobreviveu ao arsênico e ficou com muitas sequelas.

O trio em seu perfeito isolamento forma um grupo curioso e extremante perturbado psicologicamente. Eu achava que a história era de terror no estilo assombrações e tal, mas é mais voltada para o terror psicológico e tem um clima agoniante e sufocante.

De cara você não sabe bem o que de fato aconteceu e é conforme Merricat vai nos relatando seus dias é que vamos tendo uma ideia geral, mas nada é totalmente confiável e boa parte o leitor vai ter que deduzir e até mesmo tirar suas próprias conclusões no final.

O ritmo inicial é até tranquilo, mas quando chega um primo na mansão as coisas começam a sair dos eixos, a rotina das irmãs e do tio literalmente vira cinzas. Merricat é a única que nota que algo ruim vai acontecer e a contagem regressiva para a tragédia começa. É apenas uma questão de tempo para que a frágil existência deles seja mudada para sempre.

Há bastante mistério no ar, mas em determinado momento alguns aspectos da trama ficaram bem óbvios. Por outro lado eu fiquei com muitas dúvidas em relação a outros e sei que vai ficar por conta da minha imaginação um esclarecimento. Eu prefiro desfechos conclusivos, sempre me sinto meio traída quando um autor deixa coisas no ar.

Eu imaginava que esta história seria bem diferente e apavorante. No entanto, o aspecto de loucura, de insanidade que a permeia foi uma grande surpresa. A distorção de caráter dos personagens, as fugas de realidade, a mente doentia e sombria deles são fascinantes e mesmo não sendo o que eu esperava, foi de fato algo incrível.

Os personagens são um grande desafio e bastante complexos e as irmãs são estranhas demais para despertar aquele sentimento de proteção. Merricat com seus dezoito anos mais parece uma criança entre seis e oito na maior parte do tempo, embora ás vezes se mostre bem mais madura que Constance. As variações de humor de ambas nos confundem e oscilam entre comportamento infantil e adulto. Tio Julian é um homem doente e fica ali cheio de delírios que deixam o leitor curioso, levantando mais questionamentos sobre a confiabilidade da narrativa de Merricat e o que ali é real ou apenas ilusão. 

Sempre Vivemos No Castelo é uma história com uma trama macabra e personagens excêntricos, que viaja pelas neuroses da mente humana e pela maldade. Sim! Maldade. Acredito que toda loucura dos Blackwood se originou da maldade que as pessoas carregavam no coração, do rancor e da solidão. Fica claro que existem aqueles que nascem com algo muito ruim dentro de si e esta semente quando germinada se torna perigosa e venenosa, consumindo a sanidade e tudo de bom ao redor. É um livro original da década de 60 e acredito que mesmo com o passar dos anos seu impacto nos leitores sempre será grandioso. 


2leep.com

11 comentários:

  1. Oi, Cida!
    Uma amiga minha leu esse livro e também teve as mesmas impressões que você.
    Antes eu não estava com muita vontade de ler, mas agora fiquei curiosa com o que aconteceu pra essa família ficar assim.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe do sorteio de aniversário do Balaio de Babados e O que tem na nossa estante

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  2. Estou com o livro Juntando pedaços aqui e quero dar uma chance em breve. Não conhecia essa história e não é que me interessou? Já anotei esse dica <3

    Sai da Minha Lente

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  3. Olá, Cida.
    Confesso que não tinha me interessado muito por esse livro não. Achei a capa bem sem graça e a sinopse não tinha entendido muito bem. mas agora lendo sua resenha acho que preciso ler esse livro. Mas acho que não vou gostar de ficar algumas coisas no ar hehe.

    Prefácio

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  4. Oi Cida,
    Engraçado que lendo a resenha a gente lembra de várias obras parecidas que devem ter se inspirado. Fiquei curiosa pra conhecer a Merricat.

    tenha uma ótima semana =D
    Nana - Canto Cultzíneo

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  5. Oiii Cida

    Eu morro de curiosidade de ler esse livro justamente pelos comentários de que ele é diferente do que esperamos de inicio, esse terror psicológico associado à personalidade misteriosa dessa familia estranha me intriga bastante e sendo tão curtinho imagino que se lê em nada. Com certeza quero conferir ainda esse mês

    Beijos

    aliceandthebooks.blogspot.com

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  6. Oi Cida! Uma amiga leu e descreveu o livro como muito louco, realmente parece ser assim hehehehe esse lado macabro pode me assustar um pouco confesso, mas parece uma excelente trama! Quero conferir depois.

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  7. Oi Cida, tudo bem?
    Eu gosto muito quando estou lendo um livro ou vendo uma série e os personagens nos indicam outras obras. Não conhecia o livro, achei a premissa muito interessante e sua resenha despertou minha curiosidade, espero ter oportunidade de ler um dia e entender melhor sobre essa loucura!

    Obrigada pelo carinho. Volte sempre!
    Um super beijo :*
    Claris - Plasticodelic

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  8. esse livro é bem intrigante por essa mescla, eu não creio que leria por conta desse lado mais macabro, mas fiquei curiosa
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  9. Oi Cida,

    Adoro quando leio livros e lá tem indicações de outros livro,s é tão bom depois poder pegar o livro e ler e entender o que o personagem quis passar.
    Essa história eu não conhecia, mas tem uma premissa legal.
    Bjs e uma ótima noite!
    Diário dos Livros
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  10. Eu sinto uma necessidade existencial de ter esse livro na minha estante, sua resenha só fortaleceu essa vontade. Quero!

    Jaci
    Uma Pandora e Sua Caixa

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  11. Oi Cida!
    Eu comprei esse livro mas ainda não li. Que bom saber que você gostou!

    Beijos,
    Sora | Meu Jardim de Livros

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