[Resenha] O Urso e o Rouxinol

O Urso e o Rouxinol
Título Original: The Bear and the Nightingale (The Winternight Trilogy #1)
Autor(a): Katherine Arden   
Editora: Rocco (Fábrica231)                Páginas: 320
Lançamento: 2017                               ISBN: 9788595170230
 ||Compre||     ||Skoob||  ||Goodreads|| 
Romance de estreia da norte-americana Katherine Arden, que morou dois anos em Moscou. O urso e o rouxinol mistura aventura, fantasia e mitologia ao acompanhar a jornada da jovem Vasya, criada, junto aos irmãos, num vilarejo próximo de uma floresta, e que cresceu ouvindo de sua ama contos e lendas sobre criaturas que vivem nas matas e que precisam receber oferendas para manter o mal adormecido em seu interior. Mas a chegada de Anna, madrasta de Vasya vinda da capital, de hábitos católicos, e de um padre ortodoxo que resolve instituir as práticas cristãs no vilarejo, provoca uma mudança na rotina da menina e abre as portas para uma terrível catástrofe. Sensível e determinada, Vasya é a única que consegue enxergar e conversar com esses seres fantásticos e torna-se a última esperança para salvar o povoado onde nasceu da destruição.
Em O Urso e o Rouxinol, de Katherine Arden, primeiro volume da Trilogia Winternight, conhecemos a jovem Vasya, uma garota criada em uma família rígida, porém amorosa. Uma garota que descobriu que as histórias para dormir contadas pela velha ama, não eram apenas fantasia e sim bem reais.

Vasya sempre foi uma menina traquinas, que se vestia com as roupas do irmão e se aventurava na floresta. Por mais que suas atitudes não estivessem de acordo com o que as pessoas achavam ser certo para uma garota, ela era sempre perdoada pelo pai e mantinha sua energia bem viva e radiante. No entanto, o jeito livre de Vasya despertava comentários pelos arredores. As pessoas chamavam a jovem de bruxa, ainda mais considerando sua origem e nascimento.

Ela foi a última filha de um casamento por conveniência que virou uma união por amor. Sua mãe sabia que iria morrer no parto, mas queria uma filha que herdasse os dons das mulheres da família. Assim Vasya veio ao mundo, destinada a ser mais do que uma simples garota.

No entanto, o segundo casamento do pai, a chegada da madrasta louca, de um padre vaidoso e antigas lendas despertando, obrigaram Vasya a entender que tinha uma grande missão.

Esta história tem um toque de contos de fadas e torna-se bem interessante por sua ambientação na Rússia e a exploração das lendas deste país. Eu nunca havia lido nenhuma história que abordasse tais lendas e achei-as muito boas. Ao terminar a leitura fiquei com uma enorme vontade de achar um livro de contos de fadas russos e me aprofundar mais nos que são citados nesta obra.

Embora O Urso e o Rouxinol seja uma aventura de magia, fantasia e mitologia, também é uma livro com uma história cheia de críticas sutis. A autora costura ao enredo central temas como fé cega que beira fanatismo, o preconceito da igreja com costumes místicos e emponderamento feminino. Há uma forte influencia da monarquia na vida das pessoas, mas a Igreja é ainda mais forte e consegue atemorizar sem freios. Há muito disso na história e foi um dos desafios enfrentados pela protagonista, que não apenas tinha a fama de bruxa, como também acreditava em deuses e demônios e não os temia. Até mesmo dialogava com eles. Em determinado momento achei que um tipo de Inquisição iria surgir e jogar Vasya na fogueira.

No entanto, embora a influencia religiosa cause muitos estragos ( e revolta ), o tema abordado com mais força foi a liberdade da mulher. Era tido como certo que mulheres eram feitas para ser esposa, ter filhos e cuidar da casa. Apenas os homens tinha direito de decisão. São diversas as personagens femininas que se vêem tratadas como mercadorias e entregue em casamentos que nada mais eram que acordos políticos e financeiros.  Vasya também enfrenta este desafio e é gratificante ver como a cada página tenta mostrar que vai lutar com unhas e dentes para ser livre.

Durante toda a minha vida – disse ela –, me mandaram “ir e “vir”. Me dizem como vou viver e como vou morrer. Tenho que ser criada de um homem e uma égua para seu prazer, ou tenho que me esconder entre muros  e render minha carne para um deus silencioso e frio. Eu entraria nas malhas do próprio inferno, se fosse um caminho da minha própria escolha. Prefiro morrer amanhã na floresta a viver cem anos a vida que me é indicada.  

E nossa jovem protagonista é forte e determinada, além disso generosa e se destaca na história com a desenvoltura para enfrentar qualquer perigo. Ela vai enfrentar a Igreja, os homens e criaturas mágicas e neste caminho descobrir quem é e o que pode fazer.

A principio imaginei uma história leve, bem juvenil para ser sincera, e fui surpreendida pelo teor mais maduro e os assuntos mais sérios abordados pela autora. Não deixa de ser uma fantasia, mas é algo além, que de maneira inteligente levanta temas relevantes e permite que o leitor conheça mais sobre uma cultura, um povo e sobre as injustiças que existem no mundo desde o começo dos tempos.

O desfecho foi conclusivo e poderia ser um livro único, vamos torcer para que a continuação seja lançada logo no Brasil e descobrir que novas aventuras aguardam Vasya.







2leep.com

5 comentários:

  1. Quando vi a capa e a sinopse fiquei super ansiosa. E agora ao ler a sua resenha, minha vontade de ler só aumentou. *_*

    Sai da Minha Lente

    ResponderExcluir
  2. Oi Cida!! Eu gosto de histórias que no fundo, no fundo tem boas críticas! Espero que o próximo volume seja tão bom quanto esse!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

    ResponderExcluir
  3. Oi Cida,

    Não sabia sobre o livro e muito menos das lendas da rússia que ele trás.
    Acho que iria gostar da história por sua ambientação e conhecimentos sobre a cultura.
    Dica anotada.
    Bjs
    http://diarioelivros.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  4. Oi Cida!
    Pela capa já dá para perceber que a história vai ter algo de contos de fadas. Gostei bastante da sua resenha, quero ler!

    Beijos,
    Sora | Meu Jardim de Livros

    ResponderExcluir
  5. Olá, Cida.
    Quando comecei a frequentar a biblioteca aqui da minha cidade eu li todos os livros da seção de contos. E tinha um que era de contos russo. Me interessei bastante por esse livro. Gostei do enredo. E por ter final fechado, acho que leria ele agora, sem precisar ficar esperando os outros hehe.

    Prefácio

    ResponderExcluir

Obrigada por seu comentário.

Sua participação é muito importante.

Um grande beijo!