[Resenha] Silêncio

Silêncio
Título Original: Soundless
Autor(a): Richelle Mead 
Editora: Galera Record         Páginas: 280
Lançamento: 2016               ISBN:9788501107381
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Um romance de fantasia e aventura da mesma autora de Vampire Academy. Pelo que Fei se lembra, nunca houve um ruído em seu vilarejo todos são surdos. Na montanha, ou se trabalha nas minas ou na escola, e as castas devem ser respeitadas. Quando algumas pessoas começam também a perder a visão, inclusive a irmã de Fei, ela se vê obrigada a agir e a desrespeitar algumas leis. O que ninguém sabe é que, de repente, ela ganha um aliado: o som, e ele se torna sua principal arma. Ao seu lado, segue também um belo e revolucionário minerador, um amigo de infância há muito afastado em função do sistema de castas. Os dois embarcam em uma jornada grandiosa, deixando a montanha para chegar ao vale de Beiguo, onde uma surpreendente verdade mudará suas vidas para sempre. Fei não demora a entender quem é o verdadeiro inimigo, e descobre que não se pode controlar o coração.

Richelle Mead é uma das minhas autoras favoritas e eu estava bem curiosa para conferir uma história dela que não fosse sobre vampiros. Silêncio chega entre as novidades da Galera Record e traz uma história totalmente diferente daquelas da autora já lançadas por aqui e, para alegria de muitos, é um livro único.

Fei cresceu num povoado acostumado a viver em total isolamento. Há muito tempo uma avalanche os isolou no topo de uma cadeia de montanhas e a única forma de sobrevivência se deu através de permuta. Aqueles que viviam lá embaixo enviavam comida para cima em troca do minério extraído das minas nas quais o povo de Fei trabalhava. No entanto, com o tempo a saúde destas pessoas começou a ser comprometida. Primeiro todos perderam a audição e no momento atual se deparam com outro problema, a cegueira. A falta de mão de obra se fez sentir na quantidade de minério enviado que resultou em menos alimento e fome. Logo, viver ali,  não seria mais possível.

Fei é uma artista e por isso está no topo da sociedade na qual vive. Para chegar onde chegou e oferecer uma vida melhor para a irmã  usou seu talento, mas abriu mão do amor de sua vida. Ela terá que casar com alguém do mesmo nível, outro artista, não com o minerador que verdadeiramente ama, Li Wei

Eis que um sonho desperta a jovem para um novo mundo e ela volta a ouvir. Este milagre é o primeiro passo da jornada para uma nova realidade. A cegueira da irmã de Fei e a morte do pai de Li Wei unem novamente a vida dos jovens e juntos decidem buscar ajuda.

O que havia fora dos cercos de pedras que os prendia? Imaginem viver desta forma? Viver não somente confinado, mas totalmente sem sons em sua vida e praticamente implorando por alimento?

Você pode até perguntar por qual razão eles não tentaram sair daquele lugar  e digo que foi porque descer a montanha custaria  a vida. Os deslizamentos ainda continuavam e sem a audição para perceber as pedras rolando não havia como se proteger. Li Wei une sua força ao recém adquirido sentido de Fei e aí sim uma aventura começa. 

Mead nos apresenta uma história cheia de mistérios para serem desvendados e uma protagonista delicada, sensível e cheia de coragem. A principio você pode achá-la fraca, mas coloque-se em seu lugar e vai entender melhor. Vi em Fei um traço marcante de outras personagens femininas da autora que é a capacidade de adaptação e mudança quando necessário. Embora vivam regidas por regras de condutas rígidas e sigam obedientemente tais regras  o senso de justiça e humanidade falam sempre mais alto e elas não relutam na hora de ir contra tudo e todos na busca pelo melhor. Nem sempre suas atitudes são bem vistas ou aceitas e ainda assim elas seguem em frente na luta.

Pelo lado masculino a autora não decepciona ao trazer como par de sua heroína um rapaz forte e de grande coração, disposto a sacrificar a vida pela amada. Um cavalheiro em todos os sentidos, cheio de gentileza e charme.

E embora o casal seja muito gracioso, o romance abre espaço para a situação curiosa de Fei e seu povo. Você quer saber a razão da surdez e da cegueira. Eu não acreditei em momento algum nas lendas que eles contavam de que seres fantásticos antigos tivessem ido dormir e levado a audição das pessoas junto para que o silêncio reinasse e o sono deles não fosse perturbado. Eu acreditei em ação humana desde o deslizamento até a privação dos sentidos. Na minha opinião ali havia algo bem cruel.

Eu adoro histórias que não se revelam logo de cara e por este aspecto estar presente aqui, gostei muito do livro. Vi algumas críticas negativas e estava com medo de me decepcionar, mas por gostar muito da autora arrisquei. Não é uma história cheia de rompantes de paixão ou mesmo muita ação, alerto que o ritmo de Silêncio é bem comedido, paciente e discreto tal como a cultura asiática que traz em sua trama.

Esbanja delicadeza e uma sensibilidade para ver o mundo que não temos muito em outros livros e assim o ritmo é lento em muitos momentos, mas nem por isso deixa de ser interessante e intrigante. Apreciei cada minuto desta leitura, me deixando envolver por este universo ímpar criado por Mead.

É sim uma ótima história, que apresenta o pior e o melhor dos seres humanos. Fei e Li Wei são fé, bondade, lealdade e esperança. O que há fora do isolamento de seu povo tem um pouco disso, mas nem tanto e os dois em sua jornada conhecem maldade, ganância e sede de poder. Você vê o conflito que enfrentam para decidir se devem se sacrificar pelo seu povo ou simplesmente ignorar tudo e viver um grande amor. Valores e princípios estão ali nas entrelinhas e mais do que isso, uma fé inabalável que os leva a acreditar em lendas e tentar achar salvação no folclore que pode esconder a sabedoria do passado que vai os guiar para o futuro.

Silêncio nesta obra não é apenas o título, é uma palavra de inúmeros significados e acredito que cada um que ler vá sentir isso de maneira diferente. Nesta história a autora faz um apelo para que sejamos mais abertos ao que está ao nosso redor, que sejamos mais sensíveis e humanos. Há sim um toque de fantasia, mas também há algo tão real e verdadeiro que podemos ver nossa realidade na trama. Gostaria que o lado de fantasia tivesse sido mais explorado, já que a mitologia apresentada é bem fascinante. 

Mead trabalha fortemente desigualdades sociais e a exploração dos nossos sentidos. Achei muito boa a apresentação de um mundo sem sons, algo mais tátil e visual. Foi fácil perceber como não aproveitamos ao máximo nosso sentidos. Esta questão foi super bacana.

Para quem procura uma história diferente, com uma pitada de fantasia, romance e antigas lendas não pode deixar passar. Ótima oportunidade para conhecer a autora ou para quem já conhece matar a saudades. Recomendo.



  
2leep.com

9 comentários:

  1. Mas assim... tem certeza que não tem vampiro aí no meio mesmo não? kkkkk eu nunca diria que o livro é da Richelle pela capa! E aliás, gostei bastante da premissa, uma história que vai se modelando aos poucos, apresentando a situação ao leitor, nada jogado no ar. Ótima resenha!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

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  2. Oi Cida, sua linda, tudo bem?
    Também li algumas resenhas negativas e algumas pessoas dizendo justamente que o livro não explora muito a mitologia, que eu acredito ser o interesse de todos, por se tratar de uma cultura tão diferente da nossa. Mas achei seu texto tão sensível, com um toque até poético, quero sentir isso também. Sabe, em todas as resenhas que li, tive a mesma percepção que você: não creditei que fosse a lenda. Eles estão em um lugar de difícil acesso, acredito que era do interesse de muitos que eles ficassem isolados ali, alguém tinha que trabalhar nas minas. Não vejo a hora de ler!!! Adorei sua resenha!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  3. Oi, Cida!
    Eu quero muito ler esse livro justamente porque a Richelle é uma das minhas autoras favoritas. Até agora, só havia lido reviews negativas sobre o livro. A sua me convenceu a dar uma chance à leitura.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  4. Tô doida pra conferir esta história. Li um livro da autora e amei.
    Silêncio está na lista de desejadíssimos!

    História rica mesmo!!! Acho esse título perfeito.

    Bjkssssss

    Lelê

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  5. Esse livro e persegue! rsrs
    Tô louca pra ler! Adorei a sinopse dle, gosto qdo o livro me prende atenção, sinal de q eh bom...
    Estou mto curiosa pra conhecer mais a personagem e ter m ais detalhes dessa história linda!
    Bjs!

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  6. Parece ser muito bom esse livro ,não conhecia, já tou seguindo, bjus.
    https://pedagogaliteraria.blogspot.com.br/

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  7. Oie Cida =)

    Infelizmente senti que ficou faltando alguma coisa nesse livro. Achei o desenvolvimento muito lento e o final rápido demais.

    Os protagonistas são ótimos mesmo, tanto que em muitos momentos eu esquecia que a Fei era a irmã caçula, já que era sempre ela que estava assumindo as responsabilidades.

    É um bom livro, mas não foi aquela história que me cativou por completo.

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary

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  8. não seria um enredo que por si só me atrairia, mas curti a proposta... esse lado místico, o silêncio e o som... isso me atraiu
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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