[Resenha] O Último Voo

O Último Voo 
Título Original: The Last Flight
Autor(a): Julie Clark
Editora: Faro                                   Páginas: 288
Lançamento: 2026                          Suspense
Tradução: Roberta Sartori
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E SE VOCÊ PUDESSE ABANDONAR TUDO E ASSUMIR UMA NOVA IDENTIDADE? Claire Cook aparentemente tem uma vida perfeita. Casada com o herdeiro de uma influente família de políticos, mora em uma luxuosa casa em Manhattan, servida por uma equipe dedicada de funcionários. Tudo ao seu redor é sofisticado, seus dias parecem perfeitamente orquestrados, e o futuro, repleto de promessas. Porém, quando as portas se fecham, nada é o que parece. O marido, além de seu temperamento explosivo, é um manipulador implacável, usando sua equipe para vigiar cada passo de Claire, que luta para conquistar um mínimo de liberdade. O que ele não sabe é que Claire planeja há meses sua fuga. Um plano que a leva ao aeroporto, pronta para abandonar tudo. Por acaso, ela encontra uma mulher no bar do aeroporto cuja situação parece igualmente desesperadora. É um encontro que que soa predestinado. Em pouco tempo, elas tomam uma decisão capaz de mudar para sempre suas vidas. As duas mulheres trocam de passagens: Claire pega o voo de Eva para Oakland, enquanto Eva viaja para Porto Rico, convencidas de que isso lhes dará a chance de recomeçar em um lugar distante. Mas quando o avião com destino a Porto Rico cai, Claire percebe que o plano tomou um rumo inesperado e resolve aproveitar a oportunidade. Ela assume a identidade de Eva. Com isso, herda os segredos que Eva lutou para esconder — segredos dos quais Claire não pode escapar. DUAS MULHERES. DOIS VOOS. UMA OPORTUNIDADE DE FUGA.

Duas mulheres em fuga encontram na troca de identidades uma chance de recomeçar.

Claire é casada com um político em ascensão que, diante das câmeras, esbanja charme e carisma. Mas a verdade é bem diferente: por trás das paredes de casa, ele é violento e controlador. Ela não aguenta mais viver sendo agredida e nem abrir mão da própria liberdade.

Eva, uma órfã cheia de sonhos, viu seus planos desmoronarem quando sua carência afetiva a fez acreditar em quem não merecia seu amor. Sem muitas oportunidades pela frente, tomou decisões que a colocaram no caminho errado e, agora, está prestes a perder a liberdade — e, pior, a própria vida.

Em meio à fuga, Claire e Eva se encontram em um aeroporto e decidem trocar de identidades e de voo. Essa escolha as leva por caminhos desconhecidos, que acabam revelando muito mais do que o esperado.

Essa história me fisgou fácil com sua abordagem realista da vida de duas mulheres cercadas pela violência e em busca de salvação. Eu tinha a sensação de estar ali, ao lado de cada uma delas, acompanhando cada momento vivido. É uma narrativa que parece saltar das páginas, carregada de sentimentos, pensamentos e emoções. Você se vê na pele delas.

Inicialmente acompanhamos apenas Claire e os momentos que antecedem sua fuga. Logo depois, após a troca de voos, a narrativa passa a alternar entre Claire no presente — vivendo onde Eva vivia e descobrindo muito sobre a outra, sobre si mesma e sobre como encontrar uma forma de seguir em frente sem medo — e o passado de Eva, mostrando como ela chegou até aquele ponto.

Essa estrutura cria um clima constante de mistério, porque fica claro que Eva é um grande enigma. Para mim, descobrir quem ela realmente era  e se ela havia entrado naquele avião, foram os pontos mais intrigantes da trama.

Mas, ainda que exista mistério, o lado psicológico é o que se destaca com mais força. A tensão das personagens e seus pensamentos transbordam, dando, sim, um ritmo mais lento à história em certos momentos — mais reflexivo do que investigativo.

E eu gostei disso, porque foi o ideal para apresentar esse cenário tão humano, em que duas mulheres contam apenas com a própria coragem e com a ajuda de outras mulheres na tentativa de fugir de homens controladores e violentos, que querem ser seus donos. Foi emocionante acompanhar suas jornadas arriscadas. Eu não sabia onde tudo aquilo iria chegar, e essa curiosidade me moveu durante a leitura: a vontade de descobrir mais sobre as duas e torcer para que encontrassem um final feliz. Ambas de mundos tão diferentes e unidas pelo medo.

Foram várias surpresas, tensão e um final agridoce que combina muito com o aspecto realista da história. Ao mesmo tempo em que fiquei feliz, também tive também meu coração partido. 

É uma história sobre escolhas, coragem, reinvenção e sobrevivência — e, acima de tudo, sobre mulheres lutando pelo direito de serem livres e felizes. Eu recomendo. 


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