[Resenha] Cidade Banida

Cidade Banida
Autor(a): Ricardo Ragazzo
Editora: Planeta                   Páginas: 384
Lançamento: 2015               ISBN: 9788542205411
portada_cidade-banida_ricardo-ragazzo_201506171728 ||Compre||     ||Skoob||  ||Goodreads||
No futuro, a Terra foi assolada por inúmeras guerras, o que dizimou 99% da população humana e transformou sua vida animal e vegetal. Boa parte dos seres humanos acabou confinada dentro dos muros de Prima Capitale, regida pelas draconianas regras do Supremo Decano. Por causa da rigidez do governo, todos os bebês nascidos no lugar precisam passar pelo crivo dos chamados cognitos, seres com poderes psíquicos capazes de prever o futuro. Caso, nesta visão, seja revelado que o novo cidadão cometerá um crime, sua sentença é a morte. Seppi Devone foi um desses bebês vetados. No entanto, sua mãe, Appia, consegue fugir com ela, livrando-a da cruel sentença. Elas vivem incógnitas numa comunidade no meio da mata e Appia cria sua filha como um garoto. Mas, quando Seppi completa 15 anos, o destino bate à sua porta e a garota terá de enfrentá-lo. Afinal, a adolescente é a única esperança que muitos oprimidos têm de se livrar do mal a que são submetidos pelo Supremo Decano. Irá ela abraçar essa sua missão?

Cidade Banida, lançamento nacional da Editora Planeta, foi o livro que escolhi para conhecer o trabalho do autor Ricardo Ragazzo e posso afirmar que acertei em cheio nesta escolha, afinal é uma obra com uma história muito bem escrita, cheia de ação e emoção.

Imaginem que ao nascer você vai ser testado de uma maneira que o governo possa saber o que você fará no futuro? E se por acaso, for algo que pareça uma ameaça contra as leis por eles estabelecidas,  tenha certeza que você será vetado. Isso mesmo, as crianças que testadas, demonstram algum indício de que irão causar dano ao sistema cheio de restrições ao qual a humanidade foi submetida, são executadas. No entanto, no dia que Seppi Devone foi vetada, sua mãe não permitiu que sua bebê fosse tirada de seus braços. Contando com a ajuda de um bom homem, escapou dos tiranos e criou sua menina longe dos privilégio da Prima Capitale, porém sempre em estado de alerta para não serem capturadas, pois Seppi é a salvadora do mundo.

Escrita de maneira elaborada, esta distopia nacional é intrigante, imprevisível e  envolvente desde a primeira página. Eu logo gostei do que li e achei ótimo o autor não perder tempo em descrições longas e cheias de detalhes para nos inserir neste universo,  na verdade Ragazzo optou por mesclar as explicações com o desenrolar da vida da protagonista - desde o nascimento até dos dias atuais onde ela já é uma adolescente - , isso deu dinâmica e agilidade para a trama.

Há há ação desde a primeira página e você sente como é estar na pele de Seppi e enfrentar milhares de mentiras e perigos, conforme ela vai tomando conhecimento da realidade que a cerca e da razão que levou muitas pessoas a arriscar a vida para mantê-la segura, nós seguimos o mesmo caminho e entendemos junto com ela. Resultado: quando você percebe está totalmente ambientado e aceitando toda a série de criaturas fantásticas – oriundas de mutações -, e também os homens e mulheres cheios de um poder, ou melhor, poderes nunca antes vistos. Eles não são bruxos, nem super-heróis, e ainda assim mais poderosos que qualquer um destes outros seres.

O cenário vai do rústico ao hightec, podemos acompanhar a história em uma humilde vila ou em uma floresta, ou deserto selvagem e até mesmo em cidades com palácios luxuosos. Na Prima Capitale vivem as castas endinheiradas, escondendo assassinatos atrás de luxo. Na Cidade Banida temos lutas em arenas, onde a política de pão e circo impera. Os dois locais têm em comum sede por poder.

Ragazzo foi meticuloso na criação de cada cenário de sua obra e é possível imaginar tudo claramente, até mesmo  sendo algo aparentemente  impossível de existir. Os lugares e seres foram concebidos de forma criativa, com uma construção complexa, mas como citei anteriormente, da forma como são apresentados a aceitação é fácil e ocorre de forma natural. 

Seppi é uma protagonista que agrada, nada da mocinha cheia de fricotes e indecisão, é até ousada demais e a aceitação de sua nova situação de salvadora acontece como deve ser: deixando a menina confusa, revoltada, alegre, triste… Enfim, reúne toda aquele turbilhão de emoções que choque e mudança geram, tornando o momento crível. Ela é uma caixinha de surpresas, uma totêmica, ou seja, um ser de poder grandioso que vai desde o controle da mente, passando pela comunicação com animais, até uma metamorfose.  Simplesmente fascinante.

Há outros personagens também, alguns com poderes, outros apenas com coragem para derrubar um governo que mata e explora crianças recém nascidas. Nossa protagonista luta, mas também tem tempo para o romance, embora eu não tenha curtido a química dela com o rapaz. Além de Seppi, eu gostei de sua antagonista, Indigo, que mesmo sendo uma eterna megera, possui uma personalidade forte e determinada, admiro muito pessoas com esta força de caráter. E verdade seja dita, ela tinha motivos para não gostar de Seppi e incomodá-la, eu mesma não sei se agiria de outra forma. Indy teve uma vida muito difícil e não é uma pessoa má, só ferida e magoada.

Em suma, Cidade Banida apresenta uma trama criativa e empolgante, cheia de intrigas políticas e jogos de poder. Há crítica social e moral, mas de maneira sutil, não moralista,  mas de qualquer forma nos leva a questionar muitas coisas. É uma história com personagens extremamente humanos, onde sua luta é exatamente pela vida. A aventura não termina aqui, foi só um aperitivo, Seppi ainda vai lutar muito e enfrentar algo muito devastador: uma traição. O final foi uma surpresa, e vou confessar, amei esta reviravolta.

E, por um segundo, o silêncio transformou-se no pai de todos nós.


2leep.com

20 comentários:

  1. Olá!

    Ja´tinha lido outra resenha dele, e parece ser bem interessante. Vou dar uma olhada, pode ser que eu consiga ler.

    resenhaeoutrascoisas.blogspot.com

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  2. O que mais me agrada em distopias são as críticas sociais e os jogos de poder, então é excelente saber que esse livro possui esses elementos. Se ainda é recheado de ação e é um livro nacional, melhor ainda. Certamente lerei a obra.

    Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de setembro. Serão dois vencedores.

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  3. Oi Cida, tudo bem?
    Senti isso também com o cenário que o autor criou. Ele narrou de forma tão incrível que parecia que eu estava dentro do livro. O final me maltratou e também foi surpresa, coitada da Seppi, depois de quase todo mundo mentir para ela, ainda tem mais essa. Estou mega curiosa para conferir o segundo livro. Que bom que também gostou.

    livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

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  4. Como adoro história com ação, já me interessei por esse livro, lendo a sinopse fiquei super curiosa com a história, bem diferente de tudo que já li, sua resenha está muito boa, e depois dessa resenha super positiva sobre esse livro, não tem como não ter adicionado ele em minha lista de leituras.

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  5. Adoro livros que apresentam distopias e divisões de classes (tipo tribos, clãs)! A história de Cidade Banida parece ser super envolvente, e cheia de ação, e também gosto de reviravoltas. Estou louco para ler, só vejo resenhas positivas !
    Abraços :)

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  6. Oi!
    Quero muito ler este livro, vi muitas resenhas positivas deste livro e apesar de não ser o gênero que eu geralmente leio estou bastante curiosa e mais ainda por ser um livro nacional.
    Parabéns pela resenha!
    Bjos

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  7. oi flor, leio muitos elogios ao Ricardo, por ele conseguir conduzir a trama com precisão e prender o leitor nas primeiras páginas!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  8. Oi !
    Nossa eu quero muito ler esse livro, eu amo ler distopias e estou bem animada para ler essa historia.
    Parabéns pela resenha!

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  9. Menina, eu simplesmente adoooooroooo distopias! Mas confesso que nunca dei a devida oportunidade a algum autor nacional... Acho que por medo de me decepcionar. Mas adorei a sinopse e também sua resenha. Saber que o autor não fica enrolando demais na ambientação da "nova terra" me deixou ainda mais animada a ler! E,pra me deixar ainda mais animada, a protagonista não tem mimimi demais! Combinações perfeitas!

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    http://pausaparapitacos.blogspot.com.br/

    Beijos!
    Bom feriado!
    Fabíola Carvalhais.

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  10. Cida!
    Nossa! Que distopia diferenciada e me dá mais orgulho de ser um autor nacional.
    Já li um outro livro do Ricardo e gostei demais.
    Espero que essa leitura seja ainda melhor que a anterior.
    “Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar.”(Friedrich Nietzsche)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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  11. Oi, Cida,

    Ando tão afastada da blogosfera (salvo meus posts na Estante) que, cada vez que chego em blogs e vejo uma sugestão de livro, percebo quanto ainda há pra ler. Há tanta coisa nova na literatura nacional e eu adoro isso, essa independência cultural que está abrindo espaço, mas não consigo acompanhar!
    Adorei tua resenha! Me anima o fato de não ser um livro muito extenso em explicações e com uma heroína que está mais próxima da realidade do que da perfeição.
    Se tiver oportunidade, lerei sim!
    Bom feriadão!

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  12. Espero ter a oportunidade de ler esse livro. Já tinha lido outra resenha dele e agora me interessei de verdade. parabéns pela resenha.

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  13. Oi Cida!

    Já conhecia o livro e muitas pessoas, tanto blogueiros como apenas leitores tem falado muito bem dele! Estou bastante afim de ler, e vou colocar na lista para um futuro.
    A temática é muito interessante e mesmo sendo um livro distópico, e esse gênero estar na moda, só pela sua resenha já notei que o autor conseguiu inovar e se destacar. A história me lembrou vagamente também, o filme Minority Report, porém com suas próprias características.

    Gostei muito da resenha, e de conhecer melhor o livro!
    Beijo!

    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br/

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  14. Oi Cida, tudo bom?
    Desculpa a demora para aparecer aqui, mas voltei a trabalhar e estou com o tempo ainda mais reduzido. Bom, eu gosto muito de distopias e recebi esse livro de ação, mas não sei quando vou ler. Gostei do que você disse sobre a história, principalmente por ter jogo de intrigas e jogo político. Outra coisa que curto nos livros é crítica social.
    Beijos,
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

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    1. Oi Aline! O livro foi uma grata surpresa, espero que você curta também. Já voltou ao trabalho? Deve ter sido muito difícil deixar o bebê em casa.

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  15. não conhecia o autor. talvez seja uma boa indicação para que eu possa conhecer a escrita dele.
    eu já adorei de cara a mãe de seppi! mulher determinada e corajosa é outra coisa! hahaha
    gostei do mundo feito pelo ricardo! gostei mais ainda de saber que o livro é nacional. to curiosa para conferir.
    livros com ação deixa qualquer um envolvido na historia se bem escrito.

    bjs

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  16. Eu já tinha visto a capa desse livro e lido a sinopse dele,mas não acho muito meu estilo de livro. Achei meio triste essa questão de matar um bebê só porque no futuro ele cometerá um crime. Mas fiquei curiosa sobre o que acontecerá com ela quando ela atingir 15 anos.

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  17. Vida difícil dos recém nascidos que já são julgados e executados logo depois de nascer por crimes que não cometeram e também para os pais muito brutal viver num mundo assim ,e grande a revolta nos corações dos personagens e Seppi tem uma missão difícil de mudar este sistema ao qual foi predestinada quero viver esta aventura lendo esta obra.

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  18. Achei a premissa muito legal, embora tenha visto um filme que trazia algo mais ou menos assim. Parece ser um livro bem empolgante, daqueles difíceis de largar. Gosto muito quando traz uma critica, mesmo que sutil, e que nos faz refletir.

    Vou procurar o livro.

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