[Resenha] Uma Mulher Na Escuridão

Uma Mulher Na Escuridão
Título Original: Some Choose Darkness

Autor(a): Charlie Donlea
Editora: Faro                        Páginas: 304
Lançamento: 2019               ISBN:9788595810723
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Ao limpar o escritório de seu pai, falecido há uma semana, a investigadora forense Rory encontra pistas e documentos ocultados da justiça que a fazem mergulhar num caso sem solução ocorrido 40 anos atrás. No verão de 1979, cinco mulheres de Chicago desapareceram. O predador, apelidado de Ladrão, não deixou nenhum corpo ou pista — até que a polícia recebeu um pacote enviado por uma mulher misteriosa chamada Angela Mitchell, cujas habilidades não-ortodoxas de investigação levaram à sua identidade. Mas antes que a polícia pudesse interrogá-la, Angela desapareceu. Agora, Rory descobre que o Ladrão está prestes ser posto em liberdade condicional pelo assassinato de Angela: o único crime pelo qual foi possível prendê-lo. Sendo um ex-cliente de seu pai, Rory reluta em representar o assassino, que continua afirmando não ser o assassino de Angela. Agora o acusado deseja que Rory faça o que seu pai prometeu: provar que Angela ainda está viva. Enquanto Rory começa a reconstruir os últimos dias de Angela, outro assassino emerge das sombras, replicando o mesmo modus operandi daqueles assassinatos. A cada descoberta, Rory se enreda mais no enigma de Angela Mitchell, e na mente atormentada do Ladrão.Traçar conexões entre passado e presente é a única maneira de colocar um ponto final naquele pesadelo, mas até Rory pode não estar preparada para a verdade...
Uma Mulher Na Escuridão é o mais novo livro de Charlie Donlea que a Faro está publicando no Brasil. Este autor me conquistou com sua A Garota No Lago em 2017 e desde então virei fã de seus thrillers.

Esta nova obra começa de maneira intrigante e até mesmo apavorante, ao mostrar uma pessoa matando mulheres de maneira sádica e doentia. O prólogo mostra a cidade de Chicago em 1979, justamente na hora em que um destes assassinatos está sendo finalizado pelo serial killer. Depois de introdução tão brutal, vem um trecho sobre o doce perfume das rosas e meio que não conseguimos conectar duas cenas tão ímpares nesta hora.

Então Donlea dá um salto com a narrativa para o ano de 2019 e conhecemos Rory Moore, uma investigadora forense com uma sagacidade acima da média, que é capaz de desvendar os crimes mais complexos. Ela estava afastada temporariamente do trabalho, mas surge um assassinato de uma garota que requer sua atenção. No entanto, quando o pai de Rory morre, ela precisa lidar com os casos que ele tinha em seu escritório de advocacia e acaba se deparando com os assassinatos de 1979.

Rory descobre que o pai era o advogado do serial killer de 1979 e não entende o motivo. Quando começa a ler os documentos do caso, ela observa que apesar de o homem ter sido condenado, o crime ainda carece de solução. Apesar de terem sido muitas as vítimas, o homem foi preso apenas pela morte de uma delas e o corpo desta mulher jamais foi encontrado. Como a mente de Rory consegue ver nas entrelinhas e não se desapegar até ver tudo preto no branco, ela mergulha na investigação deste caso antigo e descobre uma trama muito mais densa do que imaginava.

A narrativa de Donlea continua tão envolvente e intrigante como nas obras anteriores que li e mais uma vez me vi cativada por sua protagonista. Em todos os livros do autor que li, ele sempre opta por colocar mulheres admiráveis e fortes na frente dos casos e Uma Mulher Na Escuridão não foi exceção. A doutora Cutty, de Deixada Para Trás, ainda é a minha personagem preferida do autor, mas Rory vem na sequencia merecidamente.

Embora Rory surja na história com a missão de desvendar um crime dos dias atuais, ela acaba assumindo por conta própria a investigação dos assassinatos do passado. Os capítulos passam a se intercalar entre 2019 e 1979 e descobrimos que ela não é a única mulher que teve coragem de tentar descobrir mais sobre estas mortes e sobre este serial killer. No passado, uma dona de casa autista, conhecida por Angela Mitchell, desvendou os crimes, mas não conseguiu mostrar para a justiça suas teorias.

Angela e Rory parecem ser duas metades de uma mesma mente separadas por décadas. A forma de pensar, de reunir informações e enxergar por baixo da superfície as liga. Observando ambas investigando dá vontade de vê-las lado a lado trabalhando juntas. Só que Rory é levada a sério por sua mente aguçada e, infelizmente, Ângela em  sua época foi tida como louca.

Gostei muito de ambas e Donlea me comoveu profundamente com a jornada de Angela, uma mulher tão inteligente e incompreendida desde a infância. A história dela é bem marcante e foi muito difícil não sentir na pele toda a dor daquela mulher. Rory é muito mais livre que Angela e teve mais sorte na vida, graças aos céus recebeu amor de família e não é uma mulher que foi magoada profundamente.

Eu me vi totalmente envolvida na leitura por conta destas duas personagens, queria saber tudo sobre ambas e a vida de Angela vem a ser a peça chave para Rory desvendar o que estava oculto nos crimes cometidos pelo cliente de seu pai.

Engraçado que o autor não segura para a última página as respostas, ele já vai revelando antes da metade muita coisa, mas existe muito mais do que simplesmente saber quem era o assassino de mulheres em 1979. Isso se deve ao fato do que acontece com Angela  depois que ela desvenda os crimes, pois sua vida acaba se tornando o grande mistério da obra.

Como a narrativa se divide entre passado e presente, o leitor acaba tendo conhecimento de mais fatos do que Rory e mesmo não acreditando no que pensei ser a resposta final logo antes da metade da obra, eu acabei vendo que estava certa. É um solução muito insana, mas que se encaixa perfeitamente na sequência de fatos que se desenrolaram desde 1979 até os dias atuais. Eu adorei ver cada peça sendo colocada no lugar e, apesar de trágico, o quadro final é fascinante.

Com muito cuidado e delicadeza, o autor vai criando uma história intrincada, que precisa ter suas peças bem coladas para se revelar.  Como temos um visão mais ampla, para nós é mais fácil, só que Rory precisa cavar fundo para descobrir as peças e sua investigação minuciosa é brilhante.

Charlie Donlea cria nesta obra uma trama emocionante. Um mistério que apesar de parecer simples, carrega em si uma carga psicológica pesada,  uma gama de sentimentos fortes e uma quantidade de segredos que ligam passado e presente de forma extraordinária.

Eu fiquei arrepiada com certas passagens. Há momentos na história que me senti muito apreensiva, como se estivesse na pele do personagem vivendo o perigo. As cenas são muito vívidas, a história soa muito real e o clima tenso é maravilhoso para quem curte este tipo de obra.

O final foi ótimo. Se no livro Não Confie Em Ninguém eu achei que o autor foi cruel no final, neste aqui eu achei que ele foi perfeito. A justiça foi feita, mesmo que de maneira nada ortodoxa.


Eu gostei demais! Já acabei sentindo falta dos personagens e torcendo para que no futuro Rory Moore volte em novos livros de Donlea. Esta personagem merece muitas novas histórias. Eu recomendo!





2leep.com

13 comentários:

  1. Oi Cida,
    Eu quero muito esse livro, não vejo a hora de devorá-lo.
    Até agora, só li 1 livro do Charlie, porém tenho toda a coleção aqui a minha espera.
    E acho que vou passar este na frente, rs.
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  2. Amei demais sua resenha, ainda não li nenhum livro desse autor, mas depois da sua resenha é impossível não querer conhecer essa!

    https://www.kailagarcia.com

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  3. Olá, Cida.
    Logo no começo do livro já matei a relação entre as duas por conta do ponto em comum, mas não consegui descobrir quem era o Ladrão hehe. Eu amei a Rory e queria muito que o autor escrevesse outros livros com ela.

    Prefácio

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  4. Oi Cida, tudo bem?
    Você super me convenceu a dar uma chance à obra quando tiver a chance de tê-la. Adorei a trama e essa divisão entre passado e presente. Fiquei suuuper curiosa (e amo thrillers, o que já me incentiva rs).
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  5. Oi Cida,

    Com essa capa e premissa eu estou bem curiosa com esse livro, pois até agora só vi elogios sobre ele.
    Já quero ler!
    Bjs e uma boa semana!
    Diário dos Livros
    Conheça o Instagram

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  6. Oi Cida,
    Eu gostei bastante desse livro, a Rory é ótima, espero que tenha mais livros dela. Mas ainda prefiro o anterior pela ousadia.


    até mais,
    Canto Cultzíneo

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  7. to querendo mt ler mais thrillers, gostei mt da resenha desse livro

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  8. Oi, Cida!
    Eu tenho que ler algo desse homem, gente... Me sinto uma et por nunca ter conferido nada dele.
    Gostei de saber que a história das duas mulheres são contadas paralelamente e que o final não foi ruim.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  9. Oi, Cida

    Eu adoro quando tem essa alternância entre passado e presente nos thrillers. Eu ainda não li nada do autor, mas tenho Deixada Para Trás Aqui. Só não curti muito essa capa, não consigo olhar para outra coisa que não seja o batom! hhahah Curiosa para saber pq não houve justiça de forma ortodoxa...

    Beijo
    - Tami
    Blog Meu Epílogo | Instagram | Facebook

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  10. Oi, Cida!

    Eu amo romance policial, então logo, logo comprarei este livro. Gostei muito de saber que é uma protagonista, porque isso foge do comum nesse gênero, e que os mistérios são resolvidos ao longo da história.
    Ótima dica!

    Beijocas.
    https://artesaliteraria.blogspot.com/

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  11. Oi Cida, todo mundo adora os livros desse homem! Impressionante! E que bom que vc curtiu o final!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  12. Oi Cida!
    Nao li nada da autora mas confesso que apesar da resenha positiva, a obra nao me chama atenção. Nao curto muito o gênero.

    Abraços
    David
    http://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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  13. Oiii Cida

    Eu adoro livros que se dividem entre passado e presente, estou mega curiosa pra conferir esse novo do Donlea porque assim como vc eu tb gosto muito do autor e das histórias que ele cria. É sempre ótimo quando as personagens conseguem envolver a gente, a leitura flui super bem, nossa, quero demais conhecer essa trama, a capa ficou tão linda também.

    Beijos, Ivy

    www.derepentenoultimolivro.com

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